Quase todo pedido de filmagem começa com uma queixa vinda da superfície: o reservatório demora a encher, aparece areia no filtro da casa, a bomba queimou de novo. A causa, porém, está dezenas ou centenas de metros abaixo, onde ninguém enxerga. Descer a câmera é a forma de trocar as hipóteses por uma imagem com a profundidade marcada.
Este artigo reúne os sete sinais e situações que mais justificam uma filmagem, o que o vídeo costuma esclarecer em cada um e como preparar o poço para a imagem sair boa. Serve ao operador que recebe o chamado e ao dono do poço que precisa decidir o próximo passo.
Sete sinais de que o poço precisa ser filmado
1. A vazão caiu sem explicação
O poço que enchia o reservatório em uma hora passa a levar o dobro do tempo. As causas possíveis são várias: filtros tomados por incrustação, areia e sedimento soterrando parte dos filtros, bomba desgastada ou nível de água mais baixo do que antes. Trocar a bomba sem saber qual delas é a verdadeira costuma sair caro e nem sempre resolve.
O que a filmagem esclarece: se as ranhuras dos filtros estão abertas ou cobertas, em que trechos a incrustação se concentra e qual é a profundidade atual do fundo. Comparada com a do projeto, essa medida mostra quanto sedimento se acumulou no fundo e se ele já cobre parte do filtro.
2. A água saiu turva ou com areia
Areia na água indica que material da formação está entrando por onde não deveria: uma ranhura rasgada, uma emenda de tubo aberta, um filtro rompido ou um trecho de parede que cedeu em poço sem revestimento completo. Além de sujar a água, a areia desgasta a bomba e entope encanamentos.
O que a filmagem esclarece: a lente lateral percorre a parede e localiza a abertura ou o desmoronamento, com a profundidade na tela. Assim o reparo é planejado só para o trecho afetado. Como a água costuma estar turva nesses casos, o repouso antes da filmagem faz ainda mais diferença.
3. A bomba trava, queima ou se desgasta cedo demais
Quando uma bomba dura bem menos do que deveria, o motivo costuma estar no poço: areia em excesso, detritos acumulados na altura da instalação, um tubo deformado que aperta o conjunto ou um objeto que atrapalha a descida e a retirada.
O que a filmagem esclarece: o estado do trecho onde a bomba trabalha, a presença de detritos ou deformações e se o caminho até ali está livre. Com essa informação, a próxima bomba não repete a história da anterior.
4. Uma bomba nova vai ser instalada
Instalar uma bomba é um investimento considerável. Descer o conjunto sem conhecer o poço é arriscar que ele fique preso em uma deformação, que trabalhe em frente a um trecho com entrada de areia ou que seja posicionado em uma profundidade inadequada.
O que a filmagem esclarece: se a passagem está livre até a profundidade prevista, onde ficam os filtros e qual é a profundidade real do poço. São dados que ajudam a definir a posição da bomba e o comprimento da tubulação.
5. Caiu alguma coisa dentro do poço
Cabo, corda, ferramenta, um pedaço de tubo edutor ou a própria bomba: quando algo cai no poço, a tentação é descer ganchos às cegas. Cada tentativa errada pode empurrar o objeto mais para baixo ou prendê-lo de vez.
O que a filmagem esclarece: o que caiu, em que profundidade está, em que posição ficou e se está solto ou preso. Na imagem do início deste artigo, por exemplo, a câmera encontrou um saco de tecido caído a 68,34 m. Com o vídeo em mãos, quem faz a pescaria escolhe a ferramenta antes de começar.
6. O poço ficou parado por muito tempo
Poço desativado há meses ou anos, imóvel comprado com um poço antigo ou poço que será religado depois de uma reforma: em todos esses casos, ninguém sabe ao certo o que mudou lá dentro. Pode haver sedimento acumulado, corrosão no revestimento ou objetos que caíram enquanto o poço estava sem uso.
O que a filmagem esclarece: se o poço pode voltar a operar como está, se precisa de limpeza antes ou se tem algum dano que pede reparo. O vídeo ainda fica como registro do estado em que o poço foi recebido.
7. Vai começar uma limpeza ou recuperação
Limpeza e recuperação de poço consomem tempo e dinheiro. Sem imagem, o serviço é feito no escuro: escova-se o poço inteiro quando o problema está em dois trechos, ou insiste-se em uma técnica que não resolve aquele tipo de obstrução.
O que a filmagem esclarece: antes do serviço, mostra onde atuar e com que intensidade; depois, comprova o resultado. Colocar lado a lado o vídeo de antes e o de depois é uma das maneiras mais claras de mostrar ao cliente o que foi feito.
Outras ocasiões em que o vídeo ajuda
Fora dos sinais de problema, a filmagem também é usada na entrega de um poço novo, para conferir revestimento e filtros, e como registro periódico em poços que abastecem indústrias, fazendas e sistemas públicos. Ela ainda pode ajudar no pedido de outorga para o uso da água, mas cada estado tem o seu órgão gestor, com exigências próprias; vale confirmar antes o que o órgão da sua região pede.
Como preparar o poço para a filmagem
Boa parte da qualidade da imagem se decide antes da descida. Quatro cuidados fazem diferença:
- Retire a bomba e a tubulação. A sonda precisa do caminho livre dentro do tubo para chegar ao fundo.
- Deixe o poço descansar de 24 a 48 horas. Esse intervalo, contado a partir da retirada da bomba, permite que as partículas assentem e a água clareie. Com água muito turva, a visibilidade diminui seja qual for a câmera.
- Reúna o histórico do poço. Profundidade do projeto, diâmetro, posição da bomba, data da última manutenção e, se for o caso, o que caiu e quando. Essas informações orientam a descida e a leitura do vídeo.
- Libere o acesso à boca do poço. O carrinho da filmadora fica ao lado do poço, com o braço e a roldana sobre o tubo. Combine também a alimentação no local: o guincho trabalha em 110/220 V ou em 12 VDC, e o equipamento usa bateria de 12 VDC.
Na descida, o operador vê a imagem em tempo real e pode parar a sonda em qualquer ponto para examinar com calma. O roteiro completo está em como filmar um poço artesiano: passo a passo da filmagem em campo.
Qual filmadora usar para atender esses chamados
Para quem quer atender esses chamados com equipamento próprio, a Hidroforty fabrica dois modelos para poços com diâmetro entre 4 e 12 polegadas. Os dois têm lente frontal, que mostra o caminho e o fundo, e lente lateral, que gira 360° para percorrer a parede, ambas em Full HD 1080p:
- Filmadora de poço FF17, com 300 ou 400 m de cabo, conforme a versão;
- Filmadora para poço profundo FF19, com 400, 500 ou 600 m de cabo, conforme a versão.
Para ver a filmagem de ponta a ponta, leia o guia de filmagem de poço artesiano. Para entender o equipamento, veja como funciona a filmadora de poço artesiano, parte por parte. Ficou em dúvida sobre o modelo certo para os poços que você atende? Fale com a fábrica ou chame no WhatsApp (14) 99601-5931, com atendimento das 9h às 17h, de segunda a sexta.