Filmar um poço artesiano é trabalho de método. A filmadora mostra o que existe lá embaixo, mas a qualidade do vídeo que chega ao cliente depende do que o operador faz antes, durante e depois da descida. Este guia foi escrito para quem opera o equipamento: perfuradores, equipes que cuidam da manutenção de poços, quem presta serviço de filmagem e técnicos que preparam material para laudos.
Se você ainda está avaliando se o poço precisa ser filmado, comece pelo artigo sobre quando filmar o poço artesiano. Aqui o serviço já está combinado, e o roteiro tem seis etapas, do primeiro contato com o cliente até a entrega do vídeo.
Resumo do passo a passo
- Levante com o cliente a profundidade, o diâmetro, a situação da bomba e se o poço é jorrante.
- Retire a bomba e deixe o poço parado por 24 a 48 horas.
- Monte o carrinho, o braço com roldana, o guincho e a energia.
- Desça a sonda guiando-se pela lente frontal e use a lateral 360° nos pontos de interesse.
- Grave a filmagem inteira em MP4 e anote as profundidades.
- Entregue o vídeo, a lista de ocorrências e as imagens dos trechos.
1. Antes de sair: os dados do poço
Boa parte dos problemas de uma filmagem nasce de uma informação que faltou. Antes de carregar o equipamento, converse com o cliente e anote:
- Profundidade do poço. É ela que diz se o seu cabo chega ao fundo. O cabo da FF17 tem 300 ou 400 m, e o da FF19, 400, 500 ou 600 m.
- Diâmetro do revestimento. A sonda tem 3" e o equipamento atende diâmetros de 4" a 12". Com essa medida, você sabe de antemão se a filmagem é possível naquele poço.
- Se há bomba instalada. Em caso positivo, combine quem vai retirá-la e em que dia. A data da retirada define a data da filmagem, como mostra o passo 2.
- Se o poço é jorrante. As versões da FF17 e da FF19 podem descer em poço jorrante, mas chegar sabendo disso ajuda a organizar o local de trabalho.
- O motivo da filmagem. Queda de vazão, água com areia, bomba travando: cada queixa aponta trechos que merecem uma parada mais longa durante a descida.
- Energia no local. Pergunte se há ponto de energia perto do poço. Com essa resposta, você já sai sabendo como vai alimentar o equipamento na montagem (passo 3).
2. Preparo: bomba fora e água em repouso
A filmagem começa antes da sua chegada, com a retirada da bomba. Tirar a bomba mexe com a água, e as partículas que estavam paradas ficam em suspensão. Por isso, a recomendação é esperar o poço descansar: deixe passar de 24 a 48 horas entre a retirada da bomba e a descida da sonda. Nesse intervalo a água decanta e fica mais limpa.
Combine esse intervalo com o cliente já no agendamento. Com a água muito turva, a imagem perde alcance, seja qual for a câmera; respeitar o repouso é o jeito mais simples de melhorar o resultado.
3. Montagem na boca do poço
A FF17 e a FF19 chegam ao poço num carrinho de duas rodas, que leva a maleta com o monitor, o carretel com o cabo e o braço de apoio. Com o carrinho no lugar, siga esta ordem:
- Carrinho firme e perto da boca. Escolha um ponto plano, próximo o bastante para o braço alcançar o centro do poço.
- Braço com roldana sobre o poço. O cabo passa pela roldana e desce alinhado com o tubo, sem forçar a borda.
- Energia definida. O guincho é alimentado em 110/220 V ou em 12 VDC, e o equipamento tem bateria de 12 VDC. Decida a fonte antes de começar.
- Imagem conferida antes da descida. Com o monitor ligado, veja se as duas lentes estão mostrando imagem e se o contador de profundidade aparece na tela.
4. A descida: guincho, lentes e anotações
Com a sonda dentro do tubo, sua atenção se divide entre três pontos: o guincho, o monitor e o caderno de anotações.
Velocidade controlada no guincho
O guincho tem velocidade variável, e esse é o seu principal controle sobre a filmagem. Desça com calma e reduza ainda mais quando algo diferente aparecer na tela. Não existe uma velocidade única que sirva para todo poço: quem dita o ritmo é a imagem.
Lente frontal para acompanhar o caminho
Durante a descida, a referência é a lente frontal, que olha para baixo e mostra o trajeto da sonda até o fundo. É por ela que você percebe obstruções, objetos caídos e o ponto em que o poço termina.
Lente lateral 360° nos pontos de interesse
Ao chegar a um trecho que merece exame, pare a descida e passe para a lente lateral. Ela gira 360° e percorre a parede em volta da sonda, mostrando emendas, filtros, trincas e incrustações. Complete a volta antes de seguir.
Anotação das profundidades
Na tela, o contador indica a profundidade da sonda com precisão de centímetros. A cada ocorrência, anote a profundidade e uma descrição curta, como “incrustação no filtro” ou “emenda com folga”. Essas notas vão virar a lista que o cliente recebe no fim do serviço.
5. Gravação em SSD, em MP4
A filmadora grava em um SSD de 400 GB, e o vídeo sai em MP4. Inicie a gravação antes de a sonda entrar no tubo e só encerre ao concluir a filmagem. Um registro contínuo permite voltar a qualquer trecho depois, com calma, e mostra ao cliente que o poço foi examinado de ponta a ponta.
Como a profundidade aparece na tela, ela também fica visível nas imagens gravadas. Assim, cada trecho do vídeo pode ser ligado a um ponto do poço.
6. O que entregar ao cliente
Mesmo que tenha visto parte da descida no monitor, o cliente precisa de um material que explique a filmagem sem a sua presença. Uma entrega bem feita reúne três itens:
- O vídeo da filmagem em MP4, com a profundidade visível na imagem.
- A lista de ocorrências, com a profundidade de cada uma e uma descrição objetiva do que apareceu.
- Imagens dos trechos mais importantes, para o cliente ver cada ponto sem precisar procurar no vídeo.
Há um limite claro nesse trabalho: o operador registra o que a câmera mostrou, mas quem interpreta as imagens e assina o laudo é o profissional responsável, como o geólogo ou o engenheiro. Se o cliente for usar a filmagem para pedir outorga de uso da água, confira antes o que o órgão gestor do estado pede, porque as exigências mudam de um estado para outro.
Qual filmadora levar para o campo
A escolha do equipamento segue a lógica do primeiro passo: a profundidade dos poços que você atende. A filmadora de poço FF17 sai com 300 ou 400 m de cabo. A FF19, filmadora para poço profundo, com 400, 500 ou 600 m. Sob encomenda, a Hidroforty fabrica sistemas de até 1.800 m. As duas filmam com as mesmas lentes Full HD 1080p e atendem diâmetros de 4" a 12".
Para entender o que cada componente faz, leia como funciona a filmadora de poço, parte por parte. Para uma visão geral do serviço e do que o vídeo revela, veja a página sobre filmagem de poço artesiano.