Vista de longe, a filmadora de poço é um carrinho com uma maleta e um carretel de cabo. De perto, é um conjunto de peças com funções bem definidas: levar a câmera até o fundo, iluminar o caminho, trazer a imagem para a superfície e registrar em que profundidade cada cena foi gravada. Quem opera o equipamento, ou pensa em comprar um, trabalha melhor quando entende o papel de cada parte.
Este guia percorre os componentes da FF17 e da FF19, as filmadoras fabricadas pela Hidroforty, em quatro grupos: a sonda, o caminho do sinal, a unidade de superfície e os recursos de proteção. No fim, há um critério prático para escolher entre os dois modelos. Se você procura o roteiro de uso no campo, veja como filmar um poço artesiano, passo a passo.
1. A sonda: o que desce no poço
A sonda é o cilindro que entra no poço levando as câmeras e a iluminação. É a parte que vai à frente, submersa, longe dos olhos do operador.
Corpo de alumínio e pressão por versão
A sonda tem 3" de diâmetro e é feita em alumínio de liga naval. Com essa medida, a filmadora trabalha em poços com revestimento de 4" a 12". A cada metro de descida, a coluna de água acima da sonda fica maior, e o limite de pressão muda conforme a versão:
- versão de 300 m: 500 psi;
- versão de 400 m: 590 psi;
- versão de 500 m: 750 psi;
- versão de 600 m: 890 psi.
Câmeras Full HD: lente frontal e lente lateral 360°
Dentro da sonda há duas câmeras Full HD 1080p, com funções que se completam:
- Lente frontal: aponta para baixo, na direção do fundo. É a vista que acompanha a descida e mostra o que está no caminho.
- Lente lateral giratória: gira 360° e examina a parede em volta da sonda, onde ficam emendas, filtros e o próprio revestimento.
As câmeras e a qualidade da imagem não mudam de uma versão para outra. O que separa uma FF17 de 300 m de uma FF19 de 600 m está em outras partes do conjunto.
Iluminação com LEDs de alta potência
Não chega luz nenhuma ao interior de um poço. Quem ilumina a cena são os LEDs de alta potência da sonda, que clareiam o tubo para as duas lentes. Em água muito turva, porém, o alcance da imagem diminui, seja qual for a filmadora. Por isso se recomenda deixar o poço parado por 24 a 48 horas, contadas a partir da retirada da bomba, para a água decantar.
2. O caminho do sinal: cabo e transmissão
Cabo com reforço de Kevlar
O cabo liga a sonda à superfície. É ele que sustenta a sonda na descida e na subida, e é por ele que a imagem chega ao monitor. O reforço de Kevlar dá ao cabo a resistência de que ele precisa para trabalhar sob tração, com a sonda pendurada na ponta.
O comprimento varia com o modelo: 300 ou 400 m na FF17; 400, 500 ou 600 m na FF19. Para poços mais fundos, a Hidroforty fabrica sob encomenda sistemas de até 1.800 m.
Transmissão full-duplex
Da sonda até o monitor, a imagem Full HD viaja por transmissão full-duplex, isto é, com comunicação nos dois sentidos ao mesmo tempo. Nas versões mais profundas, que têm cabo mais longo, o transmissor de vídeo trabalha com mais potência.
3. Na superfície: controle, imagem e registro
Guincho de velocidade variável
O guincho enrola e desenrola o cabo e, com isso, controla a descida. Como a velocidade é variável, o operador pode descer devagar nos trechos que pedem atenção e parar a sonda onde quiser examinar a parede. A alimentação do guincho é em 110/220 V ou em 12 VDC.
Contador de profundidade
O contador mostra na tela em que profundidade a sonda está, com precisão de centímetros. É esse número que transforma o vídeo em informação útil: com ele, o operador diz ao cliente em que ponto do poço está cada ocorrência, e quem for fazer a manutenção sabe onde trabalhar.
Monitor LCD colorido
A imagem aparece num monitor LCD colorido, instalado na tampa da maleta que vai sobre o carrinho. O tamanho da tela depende da versão do equipamento.
Gravação no SSD de 400 GB
A filmagem fica gravada em um SSD de 400 GB, no formato MP4. Depois do serviço, o arquivo serve para rever cada trecho com calma e montar a entrega ao cliente.
Bateria de 12 VDC e carrinho de duas rodas
A filmadora conta com bateria de 12 VDC e é montada num carrinho de duas rodas, que leva a maleta com o monitor, o guincho, o cabo e o braço com roldana até a boca do poço.
4. Proteção e testes
Chave de segurança contra curto no cabo
Na FF17 e na FF19, se ocorrer um curto-circuito no cabo, uma chave de segurança entra em ação e protege as placas eletrônicas. Para resolver, troca-se o conector.
Teste hidrostático, laboratório e poços jorrantes
Toda versão da FF17 e da FF19 é submetida a teste hidrostático e a ensaios de laboratório, e pode descer também em poços jorrantes, nos quais a água chega sozinha à superfície.
FF17 ou FF19: a profundidade da região decide
Para escolher o modelo, olhe para os poços da região onde você trabalha, incluindo os mais fundos que pretende atender, e não apenas para o próximo serviço.
- Filmadora de poço FF17: versões com 300 ou 400 m de cabo.
- Filmadora para poço profundo FF19: versões com 400, 500 ou 600 m de cabo.
- Sob encomenda: sistemas de até 1.800 m.
Nos dois modelos, o diâmetro da sonda, as lentes e a gravação são os mesmos. Mudam o comprimento do cabo, a pressão que a estrutura suporta e o transmissor de vídeo, mais potente nas versões profundas. Para conhecer o serviço do ponto de vista do cliente, veja a página sobre filmagem de poço artesiano e, em seguida, o artigo sobre quando filmar o poço artesiano.
Assistência técnica e peças direto da fábrica
A FF17 e a FF19 saem da fábrica da Hidroforty, em Avaré-SP. A empresa é pioneira e líder na fabricação nacional desse tipo de equipamento. Para quem depende da filmadora no dia a dia, isso tem efeito prático: a assistência técnica e a reposição de peças vêm direto da fábrica, e o envio alcança todo o país.